Olá querido diário, acordei tão mal hoje sabe? Não queria nem mesmo ir para o colégio. Ontem foi um péssimo dia, e para completar a minha mãe nunca me entende quando falo que quero ter o cabelo liso. Não está entendendo nada né? Vou contar o que aconteceu.
  Como você sabe ontem foi meu primeiro dia de aula na escola nova, e como qualquer novata eu estava super ansiosa. Porém, com medo de não fazer nenhuma amizade. Até porque sou péssima em fazer amizades, meu antigo colégio é a prova disso, onde eu tinha apenas a Mirela como amiga. E pra ser bem sincera está sendo péssimo não ter ela por perto. Acho que o pior dia da minha vida foi quando ela me deu a notícia de que iria morar com o pai dela no Reino Unido. Desde então, venho me sentindo bem sozinha. Percebendo como eu estava me sentindo minha mãe teve a brilhante ideia de me trocar de escola, alegando que talvez eu pudesse ter mais sorte e fazer muito mais amizades do que na antiga. Mudando também meu irmão, pra "me proteger".
  Não eram nem 6h da manhã e eu já estava de pé. Arrumei minha bolsa pela milésima vez apenas pra ter certeza de que eu não havia esquecido nada. Fiz maquiagem básica. Afinal, ninguém vai super produzida de manhã para a escola, não é mesmo? Passei um bom tempo na frente do espelho tentando decidir se eu iria ou não com o cabelo solto, mas por fim acabei optando por solto. Até porque se a minha mãe o visse preso, com certeza faria eu soltar. Ela ama meu cabelo, sabe se lá por que. Tem doido pra tudo nesse mundo.
  Quando eram mais ou menos umas 6h10 minha mãe passou no meu quarto para me acordar, e ficou assustada por já me ver pronta. – Caiu da cama mocinha? Achei que ainda estaria no maior amor com a cama, preguiçosa do jeito que você é, – ela olhou para mim, sorriu, e passou a mão nos meus cabelos – resolveu ir de cabelo solto filha? Está linda, tenho certeza que vai chamar a atenção de muitas pessoas. – Olhei pra ela séria – Sim, mas não se anima muito não. Só estou com ele solto, porque eu sabia que se estivesse preso você ficaria me enchendo o saco para soltar  – ela então beijou minha testa – Ainda bem que você conhece a mãe que tem, vamos tomar café? Você tem que estar bem alimentada para ter forças pra fazer muitos amigos.
  Concordei e desci pra tomar café com ela, meu irmão também já estava pronto e inclusive já estava até terminando o café. E meu pai já tinha ido trabalhar, ele levantava muito cedo pois tinha que entrar as 6h no serviço. Não estava me aguentando de tanta ansiedade e medo de não ser aceita de novo, mas tentei não fazer com que aqueles sentimentos transparecessem. O horário de entrada era as 7h, então quando deu 6h35 comecei arrastar meu irmão. Ele estava super relutante afinal a nova escola era bem perto de casa, e nós chegaríamos super cedo, mas no final ele acabou indo.
  Chegando lá fui procurar a minha sala, e meu irmão não saiu do meu lado enquanto não me deixasse dentro da sala. Olhando pra todos os lados meu irmão comentou – Que número você tinha dito que é sua sala mesmo? – Olhei pra ele e respondi  – 27 – sorrindo ele devolveu – Bom, acho que achamos. Olha pra direita  – me virei para olhar, e lá estava minha nova turma. Meu irmão parou na minha frente, colocou uma mão no meu ombro – Espero que tenha mais sorte aqui do que tinha no São Joaquim. Se alguém te encher o saco ou algo do tipo, pode me chamar que eu venho resolver o problema – apenas assenti, me despedi dele e fui em direção a sala.
  Ao chegar, a sala já estava cheia pra minha surpresa. Por ainda faltarem 15 minutos para a aula começar, achei que a sala estaria bem vazia. Me sentei no fundo onde tinha uma carteira vazia, coloquei minha bolsa em cima da mesa e peguei meu celular para me distrair enquanto ainda era cedo. Enquanto checava meu twitter, ouvi umas risadas vindas do outro lado da sala. E de repente uma das meninas que estava no meio de todas aquelas rizadas falou bem alto  – Cara, alguém avisa ela que cabelo cacheado é ridículo? Ninguém ensinou que hoje em dia existe progressiva, alisamento e afins? – e caiu na gargalhada novamente com as amigas. Me virei para olhar a menina. Ela era muito bonita, tinha o cabelo lisinho e loiro escuro, e seus olhos eram verdes. Ela percebeu que eu estava a encarando  – Oi amorzinho, quer saber se estou falando de você? Estou. Como sua mãe pode deixar você sair assim de casa? Eu teria vergonha sério – fiquei sem saber o que responder, então, voltei pro meu celular novamente para evita-la. E logo depois o professor chegou.
  No intervalo, arrumei um cantinho e lá fiquei sozinha mesmo. Não queria ficar no pé do meu irmão, ele já tinha feito amizades e eu não queria estragar isso. Por ser tão simpático e extrovertido, ele sempre teve mais facilidade para fazer amizades que eu. Me sentei em um banco que tinha ali por perto, prendi meu cabelo e abri uma garrafa de suco que a minha mãe tinha me entregado antes de ir pra escola, quando a menina que falou do meu cabelo apareceu com as amigas dela que também eram da minha sala.  – Olha meninas, parece que alguém tomou semancol e resolveu prender esse cabelo horroroso  – olhou para mim, depois para as amigas e começaram a rir, olhei pra ela com os olhos meio se enchendo de lágrimas e disse  – Eu te fiz alguma coisa? Por que você nem sabe meu nome ainda, e não para de me atacar.  – Ela me olhou, como se estivesse me fuzilando apenas com o olhar  – Não preciso saber seu nome, pra saber que você é feia amor.
  Resolvi levantar e sair dali, não estava afim de ouvir todas aquelas coisas. Então ela segurou meu braço e disse – É falta de educação sair, e deixar os outros falando sozinhos, sabia?  – olhei bem no bundo dos olhos dela e retruquei no mesmo padrão – Também é feio julgar a aparência de alguém, sem nem ao menos saber o nome da pessoa – sai andando na direção do meu irmão. Chegando lá, abracei ele e comecei a chorar como se fosse uma criança de 8 anos. Preocupado, ele começou a me encher de perguntas sobre o que tinha acontecido e quem tinha me deixado daquele jeito. Respondi contando os acontecimentos, ele me acalmou apresentou seus novo amigos e  disse que se eu quisesse ligaria pra nossa mãe nos buscar. Eu aceitei, mas disse que não precisava dele vir comigo, que podia ficar até o fim do dia já que tinha se dado tão bem. A princípio ele ficou bem relutante, queria muito voltar pra casa comigo, mas depois acabou aceitando ficar.
  Um dos novos amigos dele ficou comovido pelo meu estado – Não fica assim não mocinha, a Camila é assim mesmo. E se ela perceber que você fiou tão abatida, as coisas só vão piorar pra você. Conheço bem aquela garota, infelizmente. – Ele era alto, tinha um topete, um sorriso lindo e os olhos castanho-claro. – Vou tentar, mas essa menina é muito mal-educada, não sossegou enquanto não me viu mal. Ela sempre trata todo mundo assim? – Ele me olhou por um tempo pensativo e enfim concluiu – Só quem ela tem ciúmes ou inveja. – Olhei pra ele pensativa, tentando imaginar o por que águem como a Camila teria inveja de mim? Ou até mesmo ciúmes? Ela tinha acabado de me conhecer, não fazia sentido nenhum aquilo. Mas meus pensamentos foram interrompidos quando meu irmão me chamou dizendo que a nossa mãe já estava me esperando na porta do colégio, fui na sala peguei minhas coisas e saí.
  Quando cheguei ao carro, olhei pra minha mãe e desabei em chorar, disse que nunca mais queria voltar para aquela escola e muito menos para aquela sala. Com um olhar preocupado, ela começou a me perguntar o que tinha acontecido, respondi tudo detalhadamente e então ela falou – Filha, não fica assim você é linda, não é feia coisa nenhuma. Essa garota no mínimo está é com inveja do seu cabelo lindo. – Irritada com minha mãe retruquei – Mãe, por acaso você esqueceu do espelho enorme que eu tenho no meu quarto? Eu sei que não tem nada de lindo aqui ok? – Ela me olhou furiosa, e balançando a cabeça – Eu não acredito que por causa de uma menina que não tem um pingo de educação você vai ficar assim Viviane. – Evitando olhar para a expressão furiosa dela, respondi – Eu não vou ficar assim mãe, eu já estou assim. – Ela ligou o carro e fomos pra casa.
  Chegando lá, ela me chamou pra conversar na sala – Filha você não pode dar ouvidos pra tudo o que os outros falam, você tem que se sentir linda. E não aceitar que alguém diga se é ou não. – Fiquei indignada com o que minha mãe estava me falando, será que ela não conseguia mesmo me entender, ou fingia tudo aquilo? – Mãe, já falei pra você um milhão de vezes que eu quero alisar essa coisa horrível. Será que você não percebe que isso ta me fazendo mal? Quero ser tão linda e admirada quanto as garotas que tem cabelo liso, mas parece que você nunca me entende não é? – Ela respirou fundo, e me olhou seriamente – Você pode ser linda e admirada sem entrar no padrão, basta você querer. Já disse que tem vários tutoriais legais na internet falando sobre como cuidar dos cabelos cacheados, e que ficam lindos. Mas você não ouve a sua mãe. – Irritada com aquela conversa, levantei – Você diz isso porque tem cabelo liso – fui em direção ao meu quarto, deixando-a sozinha na sala.



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